Quinta, 07 Janeiro 2021 19:16

CoronaVac: Com 78% de eficácia, Butantan diz que iniciou pedido emergencial

Escrito por Fabio Regula, Lucas Borges Teixeira, Guilherme Mazieiro e Allan Brito Do UOL, em São Paulo e Brasília, e colaboração para o UOL
CoronaVac: Com 78% de eficácia, Butantan diz que iniciou pedido emergencial

Depois de adiar por duas vezes o anúncio dos resultados da terceira fase de testes da CoronaVac, o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, anunciou hoje que a eficácia da vacina é de 78%. O governo disse também que já iniciou o pedido de uso emergencial do imunizante à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e que espera que o rito para submissão (como é chamado formalmente o pedido de uso) seja finalizado entre hoje e amanhã.

A agência regulatória, entretanto, afirma em nota que ainda não houve pedido, e que terá outros encontros até que o processo seja concluído.

Os resultados dos estudos da CoronaVac foram apresentados em entrevista na sede do instituto com a presença do governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP). A porcentagem da eficácia está acima dos 50% exigidos pela Anvisa.

"A vacina do Instituto Butantan tem eficácia de 78% a 100% contra covid-19, apontam estudos no Brasil. Esse resultado significa que a vacina tem elevado grau de eficiência e eficácia para proteger a vida dos brasileiros. As pessoas vacinadas terão entre 78% a 100% chances a menos de desenvolver a covid-19", disse Doria.

As porcentagens de eficácia da CoronaVac, segundo o Butantan, são as seguintes:


contra casos leves de covid-19: 78%
contra casos moderados de covid-19: 100%
contra casos graves de covid-19: 100%.

Os números acima indicam que, segundo o Butantan, pessoas vacinadas com as doses da CoronaVac têm 0% de chance de, se pegarem a covid-19, terem casos moderados ou graves da doença. E têm até 22% de chance de, em contato com o coronavírus, terem um quadro leve da infecção.

Durante a entrevista, o presidente do Butantan, Dimas Covas, procurou reduzir a preocupação causada pelo fato de a eficácia da CoronaVac ser inferior à de outras vacinas, como a produzida pela Pfizer/Biontech (95%). Segundo ele, o índice menor se deve principalmente a dois fatos: o modelo da vacina (que usa o próprio vírus) e o alto contágio no Brasil, inferior ao de outros países onde os imunizantes foram testados.

 

"Nesse momento a pessoa pode até se infectar. O que queremos é que não progrida para doença, não fique grave e não tenha que ser internada. Aqui já estão resultados que mostram importância da vacina", disse.

Estamos evitando casos graves, moderados, internações e diminuindo necessidade de atendimento laboratorial. E reduzindo manifestações mais leves. É uma excelente vacinação para o momento. Precisamos que ela chegue aos braços das pessoas, que sejam aplicadas em idosos e profissionais de saúde o mais rapidamente possível. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan.

Segundo Covas, a vacina pode ser aplicada em "jovens e idosos". "É estudo com pessoas de mais de 18 anos, incluindo idosos", afirmou. "Não tem diferença observada. E assim esperamos. Idosos têm imunologia diferente. Isso já foi publicado, através dos estudos de fase 1 e 2.".

Pedido de uso emergencial ainda não está concretizado

 

O pedido de uso emergencial à Anvisa serve para a aplicação de doses em grupos de risco como idosos e profissionais da saúde. Já o registro da vacina é uma autorização definitiva para imunização em massa e comercialização com bula.

A agência regulatória informou que, até o início da tarde, aguardava o agendamento de outros encontros para avançar no processo.

"Não houve submissão do pedido de uso emergencial pelo Instituto, mas sim a apresentação de informações gerais sobre os estudos de eficácia. Os representantes do Instituto afirmaram que vão agendar nova reunião para prosseguir no detalhamento das informações e dados", disse a Anvisa, em nota.

"A reunião de pré-submissão é uma estratégia que segue a prática de outras autoridades regulatórias do mundo. Esta reunião é feita antes do envio de pedido formal de qualquer laboratório para dar conhecimento prévio do projeto de vacina e otimizar os direcionamentos técnicos e legais."

A Anvisa reforçou que só iniciará o processo de análise da vacina quando o rito de pedido de uso estiver definitivamente concluído. Esse prazo, segundo comunicados anteriores da agência, deve ser de até 10 dias.

Agenda em SP mantida para 25 de janeiro

Segundo o governador João Doria, a agenda para o início da vacinação está mantida para o dia 25 de janeiro. Porém, ainda é necessária a autorização da Anvisa.

"O objetivo é iniciar a vacinação no dia 25 de janeiro, conforme programado. O objetivo também é fornecer a vacina para todo Brasil através do Ministério da Saúde", disse Doria.

O governo Doria havia prometido em duas ocasiões apresentar os dados que embasam o pedido de uso, mas recuou e justificou questões contratuais junto ao laboratório chinês Sinovac —que desenvolve a vacina, em parceria com o instituto paulista.

1ª fase da vacinação contra covid-19 em SP

 

 

 
 

 

Público-alvo

1ª dose*

2ª dose*

Trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas

25.jan

15.fev

75 anos ou mais

8.fev

1º.mar

70 a 74 anos

15.fev

8.mar

65 a 69 anos

22.fev

15.mar

60 a 64 anos

1º.mar

22.mar

 

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