Terça, 08 Setembro 2020 17:41

Família de Friburgo denuncia racismo de PMs contra filha por causa de celular

Escrito por O Dia

Rio - O pastor e missionário Matheus Peixe usou suas redes sociais para denunciar um caso de racismo sofrido pela filha de 21 anos por PMs em Nova Friburgo, na Região Serrana. De acordo com ele, a jovem, que é negra, estava na comunidade do Cordoeiro na última quarta-feira quando foi abordada por agentes do batalhão do município (11º BPM) de forma hostil.

Segundo o pastor, os policiais foram bastante agressivos com a filha, chegando, inclusive, a revistá-la. Ela estava com o celular novo que havia acabado de comprar.

"Eles indagavam a ela 'de quem você roubou esse celular?'", ele relatou, emocionado. "Ela teve que abrir conversas para mostrar que não roubou, para mostrar inclusive o pedido (de compra) que eu fiz pela Internet. Foi duvidada do início ao fim a colocação dela".

O missionário, que tem outras duas filhas, afirmou que o aparelho foi comprado "com muito sacrifício" e o pagando em várias parcelas no cartão de crédito. Ele se disse revoltado pelo que aconteceu.

REPERCUSSÃO

Um dia depois de postar o vídeo relatando o caso, Matheus contou que alguns PMs o procuraram. Ele destacou a abordagem de um deles.

"Foi muito educado, prestando inclusive a empatia, o sentimento pelo ocorrido, e dizendo que isso não é uma postura da corporação e me convidando a levar isso a frente, no sentido de trazer a investigação à tona", detalhou.

O pastor contou que fez uma denúncia no batalhão, onde prestou depoimento. Ele espera que o caso de sua filha possa gerar alguma repercussão contra o racismo.

"Quero que com tudo isso, a agente pense sobre a maldade do ser humano. Aqueles caras que fizeram aquela abordagem, que fazem tantas outras em outros lugares, são tão pecadores quanto eu, como você, mas a gente precisa não silenciar diante do mal", defendeu.

APURAÇÃO

Procurada pelo DIA, a Polícia Militar disse que assim que tomou conhecimento dos vídeos, o comando do 11º BPM "determinou imediatamente a instauração de um procedimento para apurar as circunstâncias do fato".

"Assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar esclarece que a corporação, como tem demonstrado ao longo de sua história, não compactua e pune com o máximo rigor desvios de conduta cometidos por seus membros", a entidade acrescentou, em nota.

 

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  • Cidade: Além Paraíba - MG

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     A Polícia Civil iniciou nesta terça-feira (15) uma investigação contra uma mulher que ofendeu com insultos racistas um homem que passava com o filho por uma rua do Jabaquara, na Zona Sul da cidade de São Paulo.

     

    Na tarde de sábado (12), Leandro Antônio Eusdacio Xavier, 39 anos, foi buscar o filho de 12 anos na casa da ex-esposa para que passassem o fim de semana juntos, quando presenciou uma mulher proferindo ataques racistas contra pessoas na rua, e resolveu filmar a cena com celular na tentativa de fazê-la parar. Foi quando ele também virou alvo dos ataques.

     

    O vídeo mostra quando Leandro liga a câmera e diz a ela "vai, continua xingando preto", ao que ela responde: "É preto, macaco, e aí? Preto, macaco, chimpanzé. Posta que eu vou te processar e pegar dinheiro. Xingo o quanto quiser, tenho carta branca. Preto, macaco, chimpanzé, orangotango. Vai, posta".

     

    Leandro desligou a câmera e seguiu para casa, mas contou ao G1 que o episódio se tornou incômodo ao longo do fim de semana.

     

    "Eu não consegui ver o vídeo até hoje. Não dormi direito, fiquei pensando nisso. O que mais me dói é que meu filho estava comigo. Ele é um moleque sossegado, talvez seja só uma preocupação minha, mas não sei como fica a cabeça dele. Depois conversei com ele e disse que o pai tomaria uma providência", contou Leandro, que registrou um boletim de ocorrência por injúria.

    "Em pleno século 20 a pessoa falar daquela forma, como se você não fosse nada? O que ela fez não pode se repetir, e se a gente ficar calado as pessoas continuam fazendo isso", continuou Leandro, que mora em Diadema, no ABC paulista, e toma quatro conduções por dia para trabalhar como auxiliar de serviços gerais em um edifício no bairro da Saúde.

     

    De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado como injúria racial pelo 35º DP, mas é investigado pelo 97º DP Americanópolis, responsável pela área. A investigação, de acordo com a pasta, está em andamento para identificação da autora e esclarecimento dos fatos.


    O uso de palavra depreciativa referente a raça e cor com a intenção de ofender a honra da vítima é um crime de injúria racial, conforme o artigo 140 do Código Penal, que estabelece pena de reclusão de um a três anos.

     

    Além de injúria racial, há o crime de racismo, previsto na Lei n. 7.716/1989, e aplicado quando a ofensa discriminatória se dirige a um grupo. O crime prevê de três a cinco anos de reclusão.

     


    Existe diferença entre racismo e injúria racial — Foto: Adelmo Paixão/G1

     

    Outros relatos

    Depois que o vídeo gravado por Leandro Antônio Eusdacio Xavier viralizou, outros relatos sobre a conduta da mesma mulher e até novas imagens emergiram nas redes sociais.


    Em uma página que compila denúncias dos moradores do Jabaquara, os internautas disseram ter identificado a mulher, que seria conhecida por proferir insultos racistas nas ruas do bairro.

    "Eu conheço essa racista. Ela fica ao lado do Sacolão do Jabaquara", disse um internauta. "A polícia conhece ela. Ela xinga até a própria polícia. Sempre xingou todos que passam e sempre vai xingar. Ela não xinga só negros, xinga até crianças. Ela tem problemas e a polícia sabe disso", escreveu outro.

     

    Alguns dos comentários criticaram a exposição dos vídeos, justificando o crime com a suposta doença da mulher. "Está óbvio que ela é doente. Absurdo esse tipo de julgamento. Seria bom comunicar à família, ela pode estar correndo risco", alertou uma internauta.


    "Sempre assim, né, dá desculpa de que tem problema. Não vi ela rasgando dinheiro. Então quer dizer que daí tudo bem sair xingando as pessoas no meio da rua do jeito que quiser?", questionou Leandro, autor do primeiro vídeo.

    Questionada se realmente a mulher é conhecida pelo policiamento da região, a Polícia Militar não respondeu a essa questão, mas disse que não recebeu nenhum chamado para os endereços fornecidos pela reportagem no domingo (13), nem no sábado (14).


    A PM orienta a quem se deparar com pessoa com transtornos mentais a acionar os serviços de emergência pelo telefone 190 e 193.