Terça, 01 Setembro 2020 19:43

Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão contra 'Guardiões do Crivella'

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Policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) realizam, na tarde desta terça-feira, a Operação Freedom para cumprir nove mandados de busca e apreensão contra servidores que faziam parte do grupo "Guardiões do Crivella". Os funcionários eram pagos para atacar jornalistas, pacientes e parentes que faziam reclamações sobre a rede municipal de saúde. A denúncia foi divulgada pelo "RJTV", da TV Globo, na noite de segunda-feira.

O grupo será investigado pelos crimes de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, associação criminosa e advocacia administrativa. Somadas, as penas podem chegar a nove anos de reclusão. Os mandados foram expedidos pelo juízo do plantão noturno do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).

Apontado como chefe dos 'guardiões' pela Draco, o assessor especial da prefeitura, Marcos Luciano, foi alvo da operação e levado para prestar depoimento. Ele foi acompanhado por um advogado. O EXTRA apurou que o assessor de Crivella é investigado em três inquéritos sobre possível envolvimento com a milícia. Mais cedo, em entrevista ao jornal, Luciano disse que "não tinha nada a esconder" e acrescentou que seria apenas "um servidor servindo a cidade".

Na casa do assessor, em Olaria, os investigadores encontram um pacote escrito “Crivella”. O material será periciado. Foram apreendidos também o celular de Luciano, cerca de R$ 10 mil em espécie e documentos.

Segundo o delegado William Pena, titular da Draco, o servidor Marcos Aurélio Poydo Mendes, que mora no Morro da Galinha, no Engenho da Rainha, na Zona Norte, debochou dos agentes quando foi comunicado por telefone que teria que ir à Draco. Ele disse que os agentes deviam mandar uma intimação para o “gabinete do Crivella”.

Três dos investigados vão prestar depoimento na especializada ainda nesta terça-feira, e os demais serão convocados durante a semana. Luís Carlos Joaquim da Silva, o Dentinho, também foi encaminhado para a delegacia.

Segundo a Polícia Civil, a operação precisou ser feita com rapidez para que os envolvidos não destruíssem provas. De acordo com Pena, caso o prefeito Marcelo Crivella esteja envolvido no crime, o inquérito será remetido ao Grupo de Atribuição Originária Criminal (Gaocrim), do Ministério Público. Havia um número de telefone atribuído ao prefeito do grupo de mensagens dos funcionários.

— Se em algum momento da investigação chegarmos a algum agente com foro, vamos encaminhar ao Coordenadoria de Investigação para Agentes com Foro (Ciaf) que atua em parceria com o Gaocrim — disse Pena.

MPRJ instaura procedimento criminal

 

O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) instaurou, na manhã desta terça-feira, um procedimento preparatório criminal para investigar a suposta prática de crimes que teriam sido cometidos pelo prefeito Marcelo Crivella pela criação do grupo 'Guardiões de Crivella'. A investigação ficará a cargo da Subprocuradoria-Geral de Justiça de Assuntos Criminais e de Direitos Humanos, com apoio do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça, ambos do MPRJ.

Além do crime de associação criminosa, previsto no artigo 288 do Código Penal, os investigadores da subprocuradoria vão avaliar a prática da conduta criminosa do artigo 1º, inciso II do decreto lei 201/67, que dispõe sobre a responsabilidade de prefeitos. Também será analisada a conduta dos servidores públicos que atuaram no grupo. Segundo especialista ouvido pelo EXTRA o prefeito pode responder também por crime de improbidade administrativa.

Fonte: EXTRA

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Apontado como chefe do grupo 'Guardiões do Crivella', Marcos Luciano (à direita) foi chamado para depor na Draco Foto: Agência O Globo

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  • Cidade: Além Paraíba - MG

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    Foto: Mauro Pimentel/AFP.